EVENTOS REALIZADOS SÃO UM SUCESSO

Recente pesquisa sobre mobilidade urbana, realizada pela NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos e CNT – Confederação Nacional do Transporte avaliou a satisfação e as expectativas dos usuários do transporte público urbano do País.

Dentre os dados levantados, chama a atenção a perda consistente de demanda do transporte urbano brasileiro destacando as migrações para o carro próprio (35,8%) e para as viagens a pé (29,1%), de bicicleta (7,9%), de motocicleta (7,8%) e Metrô (3,5%), além da utilização de outras opções como taxis, serviços de carona e aplicativos de celular, que chegam a 10%.

Se analisarmos os dados disponíveis para o Estado de São Paulo, unidade federativa que concentra a maior frota de veículos e ônibus do Brasil, essa perda de passageiros se repete nos demais modais.

Nas áreas metropolitanas do Estado de São Paulo, sob jurisdição da EMTU/SP, apesar da criação de novas regiões, foi constatada uma queda no número de passageiros transportados entre 8 e 10%, se comparados os anos de 2016/2017.

No sistema de transporte interestadual e semi-urbano, no período de janeiro/2017 a junho/2017, se comparado ao mesmo espaço de tempo de 2016, o setor acusou uma queda de cerca de 18,5% no número de passageiros transportados, conforme anuário da ANTT.

No serviço de transporte intermunicipal rodoviário de passageiros do Estado de São Paulo, a situação não é diferente, o setor vem apresentando queda na demanda desde 2013/2014 (-4,13%), 2014/2015 (-6,93), 2015/2016 (-12,7%).

Esta perda generalizada pode ser atribuída, em linhas gerais, à crise econômica que afeta o País, com queda das atividades e diminuição no nível de emprego, que resultou no número atual de cerca de 12 milhões de desempregados, com consequente diminuição no número de viagens programadas, aumento na utilização de meio de transporte individual e a intensificação da concorrência desleal e predatória do transporte irregular, inclusive tipo UBER e caronas.

Paralelamente aos problemas gerados para os sistemas de transporte público por essa evasão de passageiros, se cotejarmos esses resultados apontados pela pesquisa NTU/CNT com as estatísticas de acidentes de trânsito com óbitos, principalmente no Estado de São Paulo, podemos inferir que se trata, também, de um problema de segurança e saúde pública, pois:

  1. A frota de veículos no Estado de São Paulo, até setembro/2017, era constituída de um total de 28.949 milhões de veículos sendo que motos representavam 20% desse total, automóveis 44%, ônibus 6% e outros veículos 30%;
  2. Se compararmos essa frota com o número de acidentes com óbitos no Estado em 2016 por meio de locomoção, conforme dados do INFOSIGA, verificamos que de um total de 5.727 acidentes, as motos estiveram envolvidas em 30,0%, os pedestres em 26,0%, os automóveis em 25,0%, as bicicletas em 6,0%, os ônibus em 0,1% e outros em 12,9%, ou seja, as maiores vítimas estão entre aqueles que, segundo a pesquisa, abandonaram o transporte público;
  3. Para corroborar a afirmação, a maioria das análises técnicas veiculadas sobre acidentes de trânsito aponta como principais causas o comportamento humano, veículos e vias, nessa ordem.

Dessa forma, considerando o baixo índice de acidentes envolvendo ônibus, constante das estatísticas oficiais, associado a alta exposição ao risco desses veículos que percorrem, diariamente, centenas de milhares de quilômetros por todos os cantos e cidades do País, ações destinadas a recuperação desses passageiros perdidos são fundamentais para a  redução no número de acidentes de trânsito e melhoria das condições de vida da população, pela redução dos congestionamentos e da poluição.

Delas podemos destacar, mais uma vez, a priorização do transporte público, o combate incessante ao transporte clandestino e irregular e a determinação de fontes de custeio específicas para as gratuidades, que resultarão no atendimento às principais exigências dos usuários, com relação à modicidade tarifária, maior rapidez e conforto nos deslocamentos, e o consequente retorno ao transporte público.

TRANSPORTE PÚBLICO É A SOLUÇÃO!

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